Pedro San Román, diretor desportivo das provas de Premier Padel em Espanha, revela que muitos torneios continuam a dar prejuízo. Os promotores assumem os custos, incluindo os prémios dos jogadores, e investem na expectativa de recuperar o dinheiro nas próximas edições.
O crescimento do padel profissional trouxe mais visibilidade, novos destinos e eventos cada vez mais ambiciosos. Mas o sucesso dentro do campo nem sempre se traduz em contas positivas para quem organiza os torneios.
Pedro San Román, antigo jogador profissional e atual diretor desportivo das provas de Premier Padel em Espanha, abordou esta realidade numa entrevista ao podcast «Todo es para Bien», cujas declarações foram reproduzidas pelo jornal SPORT.
Segundo o responsável, uma parte significativa do circuito continua numa fase de investimento, em que as receitas ainda não compensam os custos.
«Hoje, diria que o Premier Padel ainda perde dinheiro na grande maioria dos torneios.»
Questionado sobre se essas perdas afetam apenas o circuito ou também os organizadores locais, San Román foi direto: «Ambos perdem dinheiro.»
Quem paga os torneios de Premier Padel?
Para perceber estas declarações, é importante compreender como funciona a organização das provas.
Segundo San Román, o Premier Padel atribui direitos de organização a promotores locais, que ficam responsáveis por desenvolver o evento e explorar comercialmente o torneio.
É sobre esses promotores que recaem despesas importantes, incluindo a bolsa de prémios destinada aos jogadores. O valor depende da categoria da competição e das condições estabelecidas pelo circuito.
Durante a entrevista, San Román utiliza o exemplo de uma bolsa de 500 mil euros para explicar essa responsabilidade. Trata-se de um exemplo ilustrativo, não de um valor aplicado a todos os torneios.
Os organizadores também definem os preços dos bilhetes e a estratégia comercial do evento. Ao Premier Padel cabe estabelecer os padrões exigidos para as instalações, os serviços e as condições disponibilizadas aos atletas.
Porque continuam os promotores a investir?
A resposta está na perspetiva de crescimento e no tempo necessário para consolidar cada prova.
San Román explica que um promotor pode aceitar perdas nas primeiras edições se acreditar que conseguirá recuperar o investimento durante o período em que detém os direitos de organização.
Uma concessão de dois ou quatro anos permite olhar para o projeto ao longo de várias temporadas, em vez de avaliar apenas o resultado financeiro de uma semana de competição.
Essa recuperação é uma expectativa, não uma garantia. A capacidade de atrair público, desenvolver parcerias e aumentar as receitas tem de acompanhar os custos de organização.
Espanha parte com uma vantagem, segundo San Román, pela dimensão da comunidade de praticantes e pelo interesse que a modalidade desperta. Ainda assim, nem um mercado consolidado elimina o risco de prejuízo.
O próprio circuito já reconheceu a pressão financeira
O tema também surge nos documentos oficiais dos comités diretivos do Premier Padel.
Na reunião realizada em Roma, a 5 de junho de 2026, David Sugden distinguiu o crescimento das receitas da obtenção de lucros e referiu perdas significativas e recorrentes entre as entidades envolvidas no projeto desde 2022.
Segundo o registo publicado pelo circuito, parte das novas receitas comerciais tem sido encaminhada para os promotores, precisamente para apoiar quem suporta os custos dos torneios.
Este contexto reforça a ideia de que atrair patrocinadores e aumentar a faturação não significa, por si só, que uma prova já seja rentável.
Mais audiência para valorizar os torneios
A procura de sustentabilidade também passa pela forma como o padel chega ao público.
Na reunião dos comités realizada em Barcelona, em dezembro de 2025, os participantes defenderam uma maior exposição televisiva, digital e nas redes sociais como forma de aumentar o valor dos patrocínios.
Os promotores pediram igualmente dados de audiência mais detalhados, que lhes permitam demonstrar às marcas o alcance dos eventos e negociar novas parcerias.
A lógica é simples: quanto melhor conseguirem mostrar quem acompanha os torneios e qual a dimensão desse público, mais argumentos terão para captar investimento.
Crescer e tornar o negócio sustentável
San Román destaca a abertura a diferentes promotores como uma das características do modelo do Premier Padel, permitindo que várias entidades contribuam para desenvolver as provas e elevar a qualidade da organização.
As suas declarações colocam, porém, uma questão central: como transformar a expansão do circuito num negócio sustentável para quem financia cada torneio?
A entrevista, tal como reproduzida pelo SPORT, não apresenta contas individuais das provas nem quantifica as perdas. O diagnóstico deve, por isso, ser entendido como a avaliação de alguém que trabalha na organização, e não como um balanço financeiro detalhado de todo o circuito.
Para os adeptos, é uma perspetiva sobre aquilo que acontece antes dos jogadores entrarem em campo: o investimento, o risco e o trabalho necessários para que cada torneio se realize.

