Padel chega aos 40 milhões de jogadores e gera impacto de 8,6 mil milhões de euros na economia

Padel chega aos 40 milhões de jogadores e gera impacto de 8,6 mil milhões de euros na economia

O novo relatório da Federação Internacional de Padel revela uma modalidade presente em 191 países e territórios, com mais de 91 mil campos. Portugal surge com 1.620 campos e um impacto económico estimado de 110,4 milhões de euros no PIB. Pela primeira vez, a Ásia ultrapassa a Europa na abertura de clubes.

O padel continua a ganhar jogadores, campos e dimensão económica. O FIP World Padel Report 2026, disponibilizado esta quarta-feira, 14 de outubro, apresenta um retrato da expansão da modalidade e acrescenta uma novidade: um estudo sobre o dinheiro que movimenta e o emprego que sustenta.

A terceira edição do relatório reúne dados de participação, infraestruturas, competição e rankings. Mas alguns dos números mais reveladores estão longe dos grandes torneios: nas reservas de campos, na construção de instalações e nos milhões de pessoas que fazem do padel uma atividade regular.

Cerca de 40 milhões de jogadores, mas com diferentes hábitos de prática

A FIP estima que cerca de 40 milhões de pessoas tenham jogado padel pelo menos uma vez no último ano. Dentro desse universo, aproximadamente 27 milhões praticam com maior frequência, semanalmente ou de duas em duas semanas.

Esta distinção ajuda a perceber a dimensão da modalidade: existe uma base muito alargada de pessoas que experimentam ou jogam ocasionalmente, mas também um grupo expressivo para quem o padel já faz parte da rotina.

As mulheres representam 47% dos praticantes amadores, uma proporção próxima do equilíbrio. No universo federado, porém, a participação feminina é inferior, situando-se nos 32,2%.

O número de jogadores com licença federativa ultrapassa os 1,1 milhões, com um crescimento próximo de 31% face ao levantamento anterior. A Europa concentra mais de 90% dessas licenças.

Indicadores de participação à data de fecho do relatório. A referência a 100 federações antecede a recente admissão de novos membros, que elevou o total para 115. Fonte: FIP World Padel Report 2026.

Mais de 91 mil campos e presença em 191 países e territórios

O levantamento identifica 91.234 campos e 28.497 clubes e unidades de alojamento com instalações de padel, distribuídos por 191 países e territórios.

No caso dos campos, o relatório regista mais 13.879 relativamente ao levantamento anterior, um aumento de 17,9% no período analisado. Para o conjunto de 2026, a FIP projeta um crescimento de aproximadamente 20,4%.

A Europa mantém a maior concentração de infraestruturas, com cerca de 57 mil campos, equivalentes a 62,5% do total mundial.

Espanha lidera o ranking com 17.730 campos, seguida de Itália, com 10.375, e da Argentina, com 7.450. França chega aos 5.000, enquanto os Países Baixos, com 4.040, ultrapassam a Suécia.

Portugal aparece com 1.620 campos, integrando o grupo dos 15 países com maior número de instalações deste tipo.

Espanha mantém a liderança mundial em número de campos. Portugal surge com 1.620. Fonte: FIP World Padel Report 2026, figura 11.

A Ásia já abre mais clubes do que a Europa

Uma das mudanças mais relevantes está na distribuição do crescimento.

Segundo a FIP, a Ásia foi responsável por 39% das novas aberturas de clubes no período analisado, ultrapassando os 37,1% da Europa.

O continente asiático passou de 1.713 para 3.221 clubes e instalações, um crescimento de aproximadamente 88%. O número de campos também quase duplicou, passando de 4.633 para 9.026.

A Europa continua a ter mais jogadores e infraestruturas, mas a expansão ganha força noutras regiões. A Indonésia, por exemplo, já surge no relatório com 3.300 campos, acima de mercados como o México e a Bélgica.

Dentro da Europa, França, Grã-Bretanha e Alemanha destacam-se como motores de crescimento. Os dois últimos países já atingiram ou ultrapassaram a marca dos dois mil campos.

A Ásia representa 39% das novas aberturas identificadas pela FIP, à frente da Europa. Fonte: FIP World Padel Report 2026, figura 7.

Portugal entra numa fase de consolidação

O relatório coloca Portugal entre os mercados europeus em fase de consolidação, juntamente com países como Espanha e Itália.

Além dos 1.620 campos, o levantamento identifica 480 clubes e unidades de alojamento com padel no país.

Na análise de crescimento até setembro, a FIP contabiliza mais 24 instalações e 60 campos face a 2025. Para o conjunto do ano, projeta aumentos de 7% no número de instalações e de 5,1% nos campos.

São ritmos mais moderados do que os observados em mercados que estão agora a expandir-se rapidamente. A leitura da FIP aponta para uma etapa diferente do desenvolvimento português, depois dos anos de forte crescimento.

Neste contexto, a capacidade de fidelizar jogadores, desenvolver escolas e manter uma utilização regular dos campos ganha particular relevância para os clubes.

Um impacto de 8,6 mil milhões de euros no PIB mundial

A principal novidade desta edição é o World Padel Impact, desenvolvido com a OpenEconomics.

O estudo estima que a atividade analisada represente 6,84 mil milhões de euros de despesa anual em 2026. A partir desse valor, calcula um impacto de aproximadamente 8,6 mil milhões de euros no PIB mundial e 13,07 mil milhões de euros de produção económica.

Os valores medem coisas diferentes. A despesa corresponde ao dinheiro aplicado nas atividades consideradas pelo estudo. O impacto no PIB mede o valor acrescentado gerado. Já a produção económica inclui as transações ao longo da cadeia de fornecedores.

Segundo o modelo, cada euro de despesa associado ao padel gera cerca de 1,26 euros de PIB, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos.

O impacto estimado no emprego corresponde a 235.663 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro. Trata-se de uma medida anual de volume de trabalho, que inclui atividades na cadeia de fornecedores, e não apenas empregos dentro dos clubes.

Estimativas do impacto económico do padel em 2026. Os valores financeiros da imagem estão expressos em milhões de euros. Fonte: FIP e OpenEconomics, figura 29.

As reservas de campos representam dois terços da despesa

Apesar da visibilidade dos circuitos profissionais, o principal motor económico identificado pelo estudo é o jogo do dia a dia.

O aluguer de campos representa cerca de 4,6 mil milhões de euros, ou 67,2% da despesa total estimada.

A construção e manutenção de campos surgem a seguir, com aproximadamente 1,31 mil milhões de euros, equivalentes a 19,2%. A compra de raquetes, bolas e vestuário pelos jogadores representa 837 milhões de euros, cerca de 12,2%.

A organização dos torneios profissionais considerados no estudo corresponde a aproximadamente 97 milhões de euros, ou 1,4%.

Esta distribuição mostra o peso da prática amadora: os jogos entre amigos, as reservas semanais e a utilização dos clubes sustentam a maior parcela da atividade económica medida.

Em Portugal, o impacto estimado supera os 110 milhões de euros

A análise económica atribui a Portugal 117,8 milhões de euros de despesa associada ao padel e um impacto estimado de 110,4 milhões de euros no PIB.

A produção económica é estimada em 174,7 milhões de euros, enquanto o emprego associado corresponde a 3.002 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro.

As reservas de campos representam 63,7 milhões de euros na decomposição apresentada para Portugal. O país também surge com uma componente relevante ligada ao fornecimento de materiais e equipamentos para campos.

São estimativas produzidas pelo modelo económico, incluindo efeitos diretos, indiretos e induzidos. Não correspondem apenas à faturação dos clubes portugueses nem a um levantamento de novas contratações.

Um retrato que ainda não mede toda a economia do padel

O estudo deixa de fora algumas atividades por não dispor de dados suficientemente sólidos para as integrar, nomeadamente quotas de clubes, aulas, direitos televisivos e turismo desportivo.

A dimensão económica apresentada deve, por isso, ser entendida dentro desse âmbito. Também os dados de participação e infraestruturas combinam informação das federações com estimativas e outras fontes analisadas pela FIP.

O relatório mostra uma modalidade com uma base de praticantes muito ampla, novas regiões a ganhar protagonismo e uma atividade económica sustentada sobretudo pelo jogo amador.

Para Portugal, os números confirmam um mercado com dimensão relevante. A próxima etapa passa por transformar essa presença em prática continuada, clubes sustentáveis e oportunidades para quem está a descobrir o padel.

Fonte: FIP World Padel Report 2026, relatório completo, incluindo o estudo World Padel Impact, desenvolvido com a OpenEconomics. A atualização para 115 federações foi anunciada pela FIP após a Assembleia Geral. Padel FIP

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